terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Campania - De Nápoles a Sorrento, com pit stop em Pompéia

Chegou a hora de falar de um dos pedaços mais lindos da Itália (e do mundo)!  A região da Campania, cuja capital é Nápoles, e que engloba também o trecho de litoral intitulado Costa Amalfitana (Amalfi Coast, ou Costiera Amalfitana, para os íntimos!), faixa litorânea rochosa que inicia-se em Sorrento e segue até Salermo, passando por pequenos vilarejos super charmosos encrustados nas rochas, como Positano e Amalfi. Próximo dali fica o Vesúvio – o vulcão – e as cidades vizinhas, inclusive as ruínas de Pompéia e Herculano.

Vou repassar a vocês nosso roteiro, e algumas dicas de alterações que vimos serem interessantes!



Saímos de Roma em direção a Nápoles via trem rápido. Escolhemos a companhia Italotreno, que tinha acabado de ser inaugurada, e estava com umas promoções ótimas. Porém, a companhia mais famosa de trens da Itália é a Trenitália, que possui tanto trens rápidos, que fazem o trecho Roma – Nápoles em até uma hora, como trens mais lentos, que podem fazer o mesmo trecho em duas horas ou mais. Quando for fazer sua pesquisa, atente para a duração da viagem. Às vezes vale a pena pagar mais barato e aumentar o tempo de viagem, mas se você conseguir comprar a passagem com uma antecedência boa, como foi nosso caso, os trens rápidos podem estar com quase o mesmo preço dos demais!

Mas, voltando à Italotreno, caímos em uma primeira pegadinha: todos os trens da Trenitália que vão em direção à Nápoles saem da estação de Termini, maaaas os trens da Italotreno saem de outra estação (no nosso caso, foi a estação Tiburtina)... Como a companhia só estava em operação a dois meses, não havia muitos avisos nesse sentido, caímos nesse equívoco, e quaaase perdemos o nosso trem! Mas, nada como um taxista maluco e muita correria para salvar o dia! Entramos no trem no último minuto e partimos em direção a Nápoles!

A viagem é bem rápida e agradável. Os trens da Italotreno são novos e confortáveis, tem serviço de Wi-fi, e há espaço suficiente para malas.


Em Nápoles, como sabíamos que chegaríamos na Estação Central, e de lá partiríamos para o restante da viagem, escolhemos um hotel que fica exatamente em frente à estação, para evitar a necessidade de deslocamento com as malas. Existem vários hotéis na proximidade. O que escolhemos foi o Starhotels Terminus.

O que posso dizer a respeito do hotel e da região é: a impressão inicial não foi das melhores, pelo fato de a Praça Garibaldi (que fica em frente à estação) estar totalmente fechada para obras no período, o que deixava um ambiente meio “pesado”.

Sobre o hotel em si, vimos algumas opiniões negativas no Booking.com, mas ao chegarmos encontramos um simpático atendente na recepção, que quando viu que nós estávamos em lua de mel, ficou repetindo várias vezes que nos levaria para um “nice room”! Chegando no tal quarto, tenho que concordar, era muito bom mesmo. Amplo, cama boa, poltronas, até um pequeno “closet” tinha. Mas levando em conta a alegria do atendente e as opiniões negativas que vimos, desconfio que o tal quarto era uma exceção no hotel! Fora isso, o café da manhã era ótimo, o Hall muito bonito e o pessoal muito atencioso. Inclusive conseguimos deixar uma mala guardada por lá por 3 dias, enquanto fazíamos o passeio pela Costa Amalfitana, sem custo algum!

O "nice room" do Starhotels Terminus!

Chegamos na cidade por volta das 11h da manhã, e já partimos para conhecer alguns destinos, pois no dia seguinte já iríamos seguir viagem. Em nossas pesquisas vimos que Nápoles não era um destino muito aclamado pelos turistas, inclusive muitos indicam pular a cidade do roteiro... Realmente, não é um destino tão turístico como os demais que conhecemos na Itália. Nápoles parece mais uma cidade real, com todos os problemas de uma. A estética não é das melhores, há sujeira nas ruas, e muitas obras. Em alguns lugares você se sente um pouco inseguro, principalmente pela fama da cidade na ocorrência de pequenos furtos. Mas não vimos nada de errado nesse sentido.

Em nosso passeio fomos ao Museu Arqueológico, onde estão os maiores tesouros encontrados nas redondezas, inclusive peças encontradas na cidade de Pompéia, que foi destruída pela erupção do Vesúvio. Achei muito interessante, vale o passeio!





Após, passeamos por algumas praças e conhecemos o bairro “quartieri spagnoli”, super colorido e de arquitetura interessante. Ali você se sente realmente em Nápoles! Mas atenção: é um bairro bem popular, com pessoas simples, roupas penduradas entre as ruas, etc. No entanto, há uma avenida grande com várias lojas, uma pena que era um domingo, e muitos lugares estavam fechados.

Rua lateral do Quartieri Spagnoli

 Infelizmente não tivemos tempo de conhecer outros lugares recomendados, como os Castelos (Nuovo e do Ovo) e outros museus. Talvez se tivéssemos chegado mais cedo na cidade, seria suficiente para ver tudo. Sinceramente, não recomendo mais de um dia e uma noite em Nápoles. Se quiser ver tudo, pegue o primeiro trem de Roma, chegue mais cedo, faça um passeio completo, e à noite vá em alguma pizzaria famosa!

Como nossa prioridade era o que estava por vir, partimos no dia seguinte cedo, de trem local, rumo a Sorrento. Aqui não estamos falando de trem de super-velocidade, nem cheio de regalias. É uma linha de trem metropolitana, a “Circumvezuviana”, com trens bem velhos e apertados, que param a cada 15 minutos e num entra e sai danado de gente. Se for fazer este trecho de trem, evite levar muita bagagem. Como nós voltaríamos à Nápoles para pegar um vôo, nós resolvemos deixar uma das malas no próprio hotel, e levamos apenas a outra, menor, e uma mochila. Ainda assim ficou um pouco apertado...

No meio do caminho entre Nápoles e Sorrento, fica o sítio arqueológico da cidade de Pompéia, que nós fazíamos questão de conhecer. Então, descemos do trem, fomos até a entrada do parque, onde existe um porta volumes (detalhe: há uma pequena caminhada e alguns degraus até lá), e iniciamos o passeio. Já era quase meio dia e como o local é formado praticamente de pedras, sem sombra nenhuma, enfrentamos um calorzinho básico. Mas, com nossas garrafinhas de água a postos e depois de um pit stop sagrado para almoçar numa lanchonete com ar condicionado (ufa!), conseguimos continuar o passeio e vimos a cidade inteira. Achei muito interessante mesmo, vale a pena todo o sufoco.

Pra quem não conhece, a cidade de Pompéia foi destruída pela erupção do Vulcão Vesúvio, no ano de 79 DC. As cinzas provocadas pela erupção atingiram a cidade rapidamente, matando todos os seus moradores. Estas cinzas foram também responsáveis pela conservação de muitos corpos no local, assim como a estrutura da cidade, por todos estes anos.

 Chegando às ruínas da cidade de Pompéia

 Alguns corpos que foram encontrados no local, após a erupção do vulcão, ainda conservados



 O Anfiteatro de Pompéia

Vista panorâmica da cidade com o Vesúvio ao fundo

Depois de um sorvetinho delícia na saída, voltamos à estação e continuamos o caminho até Sorrento, onde chegamos no fim da tarde. Vale ressaltar aqui que há outra forma de chegar a Sorrento saindo de Nápoles, que não pela Circumvesuviana. Na alta estação existe um serviço de Ferry que liga as cidades, saindo de um dos Portos de Nápoles (a cidade tem dois portos, vale confirmar o correto pela Internet na época da viagem para evitar problemas). Assim você evita a viagem nada agradável de trem, mas por outro lado, perde a linda vista do Vesúvio, e a possibilidade do pit stop em Pompéia...

Em Sorrento, novamente, escolhemos um hotel que ficava relativamente próximo da estação, e como agora estávamos com bem menos bagagem, foi tranqüilo chegar até ele. Ele fica na encosta de uma grande formação rochosa, à beira-mar. O engraçado é que, ao chegar no hotel, em vez de subir escadas, você desce! Os quartos ficam meio que encaixados no meio da pedra, e a vista é sensacional! É, chegamos na Costiera Amalfitana!


 Vista do nosso quarto para o mar Tirreno e o Vesúvio

Vista da varanda para a encosta de Sorrento

O Hotel se chama “Grand Hotel Europa Palace”. Foi um dos melhores da viagem! Quarto gi-gan-te, duas (!) varandas, cada uma com uma vista magnífica! Nunca tínhamos ficado em um hotel tão bom, então ficamos meio bobos! rss! Há um elevador que desce até o nível do mar, onde há uma piscina e um píer, com algumas cadeiras de praia, que dá acesso ao mar. Uma coisa que é bem rara de se encontrar nessa região é aquilo que chamamos de “praia”. Areia quase não existe. Quando há uma faixa entre a pedra e o mar, geralmente é formada de pedrinhas. Mas o mais comum em Sorrento é a construção destes pequenos piers de madeira, com uma escadinha que dá acesso à água.


Olha só os quartos do hotel no meio da pedra!

Café da manhã mais lindo do mundo!

Sorrento é uma cidade pequena, mas tem um centrinho com muitos restaurantes, cafés e lojinhas. Se estiver precisando comprar alguma coisa, compre logo, pois este é um dos últimos locais com uma certa “civilização” no caminho da Costiera! À noite conseguimos dar um passeio pelo centrinho e jantamos em um restaurante lindo, com uma trilha sonora impecável. Lembro que tocou inclusive a música que escolhi para entrar na igreja no nosso casamento, momento mágico reviver isso!

Restaurante em Sorrento (L'Abate)


No próximo post falarei de Capri e do passeio de carro que fizemos pela Costa, e algumas dicas do que pretendo mudar neste roteiro para uma próxima viagem!


Por: Marcela Silva Bezerra

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